Projeto Pistácio Carviçais · Douro Superior

Localização

Território e localização

Contexto agrícola do interior ibérico, com tradição em culturas permanentes e clima contrastado.

Carviçais · Torre de Moncorvo · Douro Superior · Portugal

Clima

Invernos frios, verões quentes e secos

Condição regional potencialmente favorável ao ciclo do pistácio, sujeita a validação por parcela.

Tradição agrícola

Amendoal · olival · vinha

O concelho destaca-se por culturas permanentes e microclimas mediterrânicos.

Infraestrutura

Água e eletricidade disponíveis

Vantagem indicada pelos promotores; caudal e qualidade devem ser confirmados em due diligence.

Posição ibérica

Interior de Portugal, próximo de Espanha

Potencial para ligar produção portuguesa a know-how técnico, processamento e canais comerciais ibéricos.

As parcelas

Três parcelas levantadas por medição sobre ortofoto. As designações são internas; o cadastro definitivo será confirmado em due diligence.

Parcela Área (ha) Altitude (m) Perímetro (m)
I — Terreno da pista 11,76 458 2 393
II — Sul 18,11 430 1 846
III — Nascente 20,09 380 1 804
Área reunida 49,96
Pomar previsto 40 ha
Margem disponível +10,0 ha
Amplitude de altitude 78 m

380–458 m

Distância entre extremos 6,2 km

A área reunida excede em cerca de 10 ha o pomar previsto. Essa margem acomoda caminhos, cabeceiras de viragem, reservatório e apoio agrícola sem reduzir a área plantada — e deixa espaço para as zonas de mato que não sejam arroteadas.

Enquadramento geográfico

Cartografia base: OpenStreetMap

Clima, dez anos de série

Temperaturas diárias da reanálise ERA5-Land no centro de cada parcela, entre 2016 e 2025, acertadas para a altitude que o modelo de elevação atribui ao terreno. É a série que faltava para responder às duas perguntas que decidem a cultura: se acumula frio suficiente no inverno e se a geada tardia ameaça a floração.

Fonte
Reanálise ERA5-Land (ECMWF), através do arquivo histórico da Open-Meteo · 2016–2025
Horas de frio por inverno 1 137–1 168 h

Média da década, abaixo de 7,2 °C entre Novembro e Fevereiro

Pior inverno da série 869 h

O que decide se a variedade abrola: nenhum ano ficou abaixo da necessidade do Kerman

Graus-dia de maturação 1 998–2 118

Base 10 °C, de Abril a Outubro

Anos com geada depois de 15 de Março 2 / 10

Em dez anos de série

Médias por estação

Parcela InvernoPrimaveraVerãoOutono
Mínimas Média Máximas Mínimas Média Máximas Mínimas Média Máximas Mínimas Média Máximas
I — Terreno da pista 3,2 7,1 11,5 7,6 13,0 18,4 16,5 23,2 29,7 10,6 15,4 20,5
II — Sul 3,8 7,6 12,1 8,2 13,6 19,0 17,1 23,8 30,3 11,2 16,0 21,0
III — Nascente 3,6 7,4 11,8 8,0 13,4 18,8 17,1 23,7 30,3 11,0 15,7 20,7

Média da década para cada estação do ano, em graus. A coluna do meio é a média das temperaturas diárias; as outras, a média das máximas e das mínimas.

Frio acumulado, inverno a inverno

Horas abaixo de 7,2 °C entre Novembro e Fevereiro. A linha marca as 800 horas de que o Kerman precisa para abrolhar de forma regular.

Ano a ano

Ano I — Terreno da pistaII — SulIII — Nascente Graus-dia Geadas tardias Última geada Extremos
2016 1 214 h1 217 h1 295 h 1 912 0 — -2,2 / 39,4
2017 1 297 h1 320 h1 382 h 2 172 1 2017-03-25 -4,0 / 39,4
2018 1 200 h1 095 h1 207 h 1 904 2 2018-03-22 -2,4 / 40,8
2019 1 176 h1 205 h1 179 h 1 897 0 — -3,1 / 37,8
2020 1 094 h998 h1 073 h 1 965 0 — -3,3 / 38,8
2021 1 374 h1 234 h1 293 h 1 813 0 — -3,6 / 37,7
2022 1 193 h1 189 h1 239 h 2 246 0 — -2,5 / 42,3
2023 874 h880 h869 h 2 087 0 — -2,6 / 39,6
2024 1 027 h1 060 h997 h 1 895 0 — -2,1 / 39,2
2025 1 141 h1 173 h1 141 h 2 092 0 — -3,3 / 39,7

O que a série diz

O frio invernal chega, e com folga

As três parcelas acumulam entre 1 137 e 1 168 horas de frio por inverno, contra as cerca de 800 que o Kerman exige para abrolhar de forma regular. Mesmo o pior inverno da década ficou acima dessa necessidade nas três parcelas, com 869 a 880 horas. É o requisito que mais frequentemente inviabiliza pistácio no sul da Península, e aqui está resolvido.

As geadas tardias caíram todas antes da floração

Houve geada depois de 15 de Março em 2 dos dez anos, e sempre em Março. Nenhuma em Abril, que é quando o pistácio floresce nesta latitude. O risco existe e não deve ser ignorado, mas a série de dez anos não regista um único episódio a apanhar flor aberta.

O verão dá calor de maturação

Entre 1 998 e 2 118 graus-dia acumulados de Abril a Outubro, com médias de máximas do verão entre 29,7 e 30,3 °C. O pistácio precisa de verões quentes e secos para encher e abrir o fruto, e é isso que estas parcelas oferecem.

O calor extremo é real e tem de ser regado

A série regista máximas absolutas de 41,3 a 42,3 °C. O pistácio tolera-as melhor do que quase qualquer fruteira, mas em anos assim a dotação de rega deixa de ser um conforto e passa a ser o que separa uma safra de uma quebra.

Solo e água

Perfil de solo do SoilGrids e balanço hídrico calculado sobre os mesmos dez anos da série de temperaturas. Não substitui análise de laboratório nem medição de caudal, mas diz o suficiente para orientar o porta-enxerto, a correcção de fundo e o dimensionamento da rega.

Fonte do solo
SoilGrids 2.0 (ISRIC — World Soil Information), grelha de 250 m
Fonte do clima
Reanálise ERA5 (ECMWF), através do arquivo histórico da Open-Meteo · 2016–2025
pH do solo 5,7

O pistácio prefere 7,0 a 7,8: o solo é ácido e pede calagem de fundo

Textura dominante franco-arenoso

Drenagem franca, que é o que o pistácio exige — e pouca água armazenada

Fragmentos grosseiros 32 %

Substrato xistoso: reduz o volume de solo que a raiz explora

Reserva de água utilizável 70 mm

Menos de cinco dias de autonomia no mês de ponta

Perfil de solo

Parcela Profundidade pH Argila Limo Areia Pedras C orgânico CTC
I — Terreno da pista 0-5cm 5,6 13 % 33 % 55 % 30 % 70,4 23,9
5-15cm 5,6 12 % 34 % 54 % 36 % 22,4 20,8
15-30cm 5,6 17 % 30 % 53 % 34 % 29,9 20,3
30-60cm 5,7 20 % 30 % 51 % 32 % 17,8 18,5
60-100cm 5,8 20 % 29 % 51 % 32 % 11,4 18,1
II — Sul 0-5cm 5,6 14 % 31 % 55 % 31 % 73,0 22,5
5-15cm 5,6 13 % 33 % 55 % 36 % 21,9 19,0
15-30cm 5,6 16 % 29 % 54 % 34 % 28,8 18,9
30-60cm 5,7 19 % 29 % 52 % 32 % 16,7 17,7
60-100cm 5,8 18 % 29 % 53 % 32 % 12,0 17,8
III — Nascente 0-5cm 5,7 15 % 34 % 51 % 29 % 97,0 26,3
5-15cm 5,7 15 % 35 % 51 % 32 % 39,1 20,9
15-30cm 5,7 18 % 32 % 50 % 31 % 43,3 18,7
30-60cm 5,7 20 % 31 % 49 % 32 % 17,5 17,7
60-100cm 5,7 20 % 29 % 51 % 33 % 11,6 16,2

Médias ponderadas pela espessura de cada horizonte, até ao metro de profundidade. A textura é a fracção fina; as pedras são a percentagem do volume ocupada por fragmentos grosseiros.

Ano hídrico médio

A precipitação cobre o inverno e falta exactamente quando a árvore cresce. Em Julho chovem 9 mm contra 191 de evapotranspiração de referência.

Mês Chuva Aproveitável ET₀ Kc ETc Rega
Jan 67 54 30 — — —
Fev 51 41 45 — — —
Mar 71 56 73 — — —
Abr 68 54 100 0,45 45 —
Mai 41 33 138 0,70 97 64
Jun 33 26 156 0,95 149 123
Jul 9 7 190 1,10 209 202
Ago 7 5 173 1,05 182 177
Set 34 27 114 0,75 86 59
Out 77 61 72 0,45 33 —
Nov 77 61 36 — — —
Dez 75 60 24 — — —

Médias mensais da década, em milímetros. A necessidade é o que falta depois de descontada a chuva aproveitável, com os coeficientes culturais do pistácio adulto.

O que a captação tem de dar

Estratégia Por hectare No pomar Caudal de ponta Reserva para 7 dias
Conforto pleno — 100 % do ETc 7 048 m³ 281 920 m³ 147 m³/h 20 636 m³
Deficitária controlada — 60 % 4 229 m³ 169 160 m³ 88 m³/h 12 382 m³
Rega de apoio — 35 % 2 467 m³ 98 680 m³ 52 m³/h 7 223 m³
Pomar jovem, anos 1 a 4 1 741 m³ 69 640 m³ — —

O pistácio suporta rega deficitária melhor do que quase qualquer fruteira, e a estratégia escolhida multiplica por três o volume necessário. Caudal calculado para regar 20 horas por dia no mês de ponta.

O que isto decide

O solo é ácido, não calcário

O pH ronda 5,7 em todo o perfil, e o pistácio prefere 7,0 a 7,8. A conversa habitual sobre esta cultura gira à volta da tolerância ao calcário; aqui o problema é o inverso. Implica calagem de fundo antes da plantação, e muda o critério do porta-enxerto: deixa de ser resistência à clorose e passa a ser vigor em solo pobre e ácido.

Drena bem, retém pouco

Textura franca a franco-arenosa sobre substrato xistoso, com cerca de um terço do volume ocupado por pedras. A drenagem é excelente, e isso importa porque o pistácio morre de asfixia radicular antes de morrer de seca. O reverso é a reserva de água: pouco mais de 70 mm, dos quais 35 aproveitáveis entre regas.

Rega frequente e de pequeno volume

Com essa reserva e uma ponta de 7 mm por dia em Julho, o intervalo máximo entre regas fica abaixo dos cinco dias. Não há margem para turnos longos: o sistema tem de ser localizado e de alta frequência, o que é exactamente o que o gota-a-gota faz.

A estratégia de rega ainda não está decidida

Conduzir o pomar em conforto pleno ou em rega de apoio muda o volume anual por um factor de três, e com ele o caudal que a captação tem de garantir. A produtividade assumida no modelo é compatível com rega deficitária; se a intenção for conforto, a produção seria maior mas a origem de água teria de ser bastante mais generosa.

Caracterização do terreno

Cada parcela foi analisada a partir de imagens Sentinel-2 e do modelo de elevação Copernicus, num composto do verão. O terreno é dividido em células de 20 metros, de que se extraem o vigor da vegetação, a altitude, o declive e a exposição; essas células são depois agrupadas em estratos homogéneos.

Fonte
Sentinel-2 L2A e Copernicus DEM GLO-30, via Copernicus Data Space Ecosystem
Método
Estratificação: célula de 20 m, composto de verão, k-means com 4 grupos

I — Terreno da pista

Composto sazonal: verao-2025-N · Células analisadas: 291 (20 × 20 m) · Cobertura válida: 100%

Índices espectrais

NDVI 0,470 Vigor da vegetação. Acima de 0,6 indica coberto denso; abaixo de 0,2, solo praticamente nu.
EVI 0,235 Vigor corrigido para o efeito do solo e da atmosfera. Útil onde o coberto é irregular.
NDMI -0,022 Humidade da vegetação. Valores negativos indicam stress hídrico no fim do verão.
NDWI -0,525 Presença de água à superfície. Negativo em todo o terreno seco, como é esperado.
NBR 0,225 Sensível a área ardida e a biomassa seca. Valores altos indicam vegetação sã.

Terreno

Altitude
411–534 m · 468 m
Declive médio
17,6° · 32 %
Declive máximo
34,2° · 68 %
Exposição dominante
Sul

Enquadramento geográfico

Cada quadrado é uma célula de 20 × 20 m. Escolha o indicador para o ver no terreno; passe o rato por cima de uma célula para ver todos os valores.

A carregar a grelha…

Ver os estratos 4
Estrato Classe sugerida Área NDVI Altitude Declive North. East. Coberto Confiança
STR-01 Mosaico arbustivo 3,92 0,461 476 27,2° -0,93 -0,12 Matos e arbustos 73%
STR-02 Mosaico arbustivo 3,52 0,447 461 10,0° -0,42 0,68 Vegetação esparsa 54%
STR-03 Mosaico arbustivo 3,12 0,535 450 16,8° 0,21 -0,82 Matos e arbustos 57%
STR-04 Vegetação esparsa 1,08 0,389 517 10,0° 0,19 -0,81 Vegetação esparsa 70%

II — Sul

Composto sazonal: verao-2025-N · Células analisadas: 455 (20 × 20 m) · Cobertura válida: 100%

Índices espectrais

NDVI 0,390 Vigor da vegetação. Acima de 0,6 indica coberto denso; abaixo de 0,2, solo praticamente nu.
EVI 0,170 Vigor corrigido para o efeito do solo e da atmosfera. Útil onde o coberto é irregular.
NDMI -0,170 Humidade da vegetação. Valores negativos indicam stress hídrico no fim do verão.
NDWI -0,492 Presença de água à superfície. Negativo em todo o terreno seco, como é esperado.
NBR 0,059 Sensível a área ardida e a biomassa seca. Valores altos indicam vegetação sã.

Terreno

Altitude
316–444 m · 380 m
Declive médio
20,9° · 38 %
Declive máximo
40,5° · 85 %
Exposição dominante
Sul

Enquadramento geográfico

Cada quadrado é uma célula de 20 × 20 m. Escolha o indicador para o ver no terreno; passe o rato por cima de uma célula para ver todos os valores.

A carregar a grelha…

Ver os estratos 4
Estrato Classe sugerida Área NDVI Altitude Declive North. East. Coberto Confiança
STR-01 Vegetação esparsa 6,64 0,406 357 29,7° -0,92 -0,05 Vegetação esparsa 58%
STR-02 Vegetação esparsa 4,68 0,385 375 18,3° 0,04 -0,93 Vegetação esparsa 61%
STR-03 Vegetação esparsa 4,44 0,365 411 17,2° -0,96 -0,03 Vegetação esparsa 61%
STR-04 Vegetação esparsa 2,44 0,405 393 8,9° 0,04 0,94 Vegetação esparsa 56%

III — Nascente

Composto sazonal: verao-2025-N · Células analisadas: 506 (20 × 20 m) · Cobertura válida: 100%

Índices espectrais

NDVI 0,657 Vigor da vegetação. Acima de 0,6 indica coberto denso; abaixo de 0,2, solo praticamente nu.
EVI 0,387 Vigor corrigido para o efeito do solo e da atmosfera. Útil onde o coberto é irregular.
NDMI 0,143 Humidade da vegetação. Valores negativos indicam stress hídrico no fim do verão.
NDWI -0,637 Presença de água à superfície. Negativo em todo o terreno seco, como é esperado.
NBR 0,412 Sensível a área ardida e a biomassa seca. Valores altos indicam vegetação sã.

Terreno

Altitude
350–528 m · 418 m
Declive médio
23,4° · 43 %
Declive máximo
42,5° · 92 %
Exposição dominante
Norte

Enquadramento geográfico

Cada quadrado é uma célula de 20 × 20 m. Escolha o indicador para o ver no terreno; passe o rato por cima de uma célula para ver todos os valores.

A carregar a grelha…

Ver os estratos 4
Estrato Classe sugerida Área NDVI Altitude Declive North. East. Coberto Confiança
STR-01 Floresta mista 8,80 0,672 432 37,6° 0,95 -0,11 Floresta mista 81%
STR-02 Mosaico arbustivo 4,08 0,639 429 12,7° -0,02 -1,00 Matos e arbustos 54%
STR-03 Mosaico arbustivo 3,92 0,533 417 13,8° -0,63 0,38 Matos e arbustos 54%
STR-04 Floresta densa 3,44 0,781 371 10,6° 0,58 0,38 Floresta densa 60%
Declive e mecanização

Os declives medidos são substanciais: a colheita mecânica com vibrador de tronco pede terreno abaixo dos 20 a 25 % de inclinação, e as três parcelas ficam acima disso em média. É por isso que as zonas inclinadas são armadas em patamares — ver o conceito técnico. A estratificação acima serve para decidir onde armar e onde aproveitar o que já está plano: 18,5 ha estão abaixo dos 25 % de inclinação e podem ser plantados sem obra; os restantes 31,6 ha precisam de armação.